Eu me demiti do cargo de CEO da minha empresa
Degrau 1 da escada de 2 Pedro 1: fé
#fé#decisão#oração
2 Pedro 1 ·
Não foi uma decisão de negócio. Foi uma decisão que eu tomei sentado, escrevendo esse texto aqui pra você.
E eu vou te contar como foi. Mas antes preciso te explicar de onde saiu essa história.
A escada que todo empresário tenta pular
Você com certeza conhece alguém que sabe tudo sobre o próprio negócio. Faz curso, lê livro, acompanha o mercado, explica gestão melhor que muito consultor. E está há três anos no mesmo lugar.
E conhece o outro tipo também: o que cresceu rápido demais e desmoronou de uma vez, levando junto sócio, funcionário e família.
Nenhum dos dois estava sem recurso. Nenhum dos dois estava sem conhecimento.
Os dois pularam degrau.
Em 2 Pedro 1:5-7, Pedro lista as qualidades que fazem uma pessoa crescer de verdade. E ele deixa claro que aquilo não é um cardápio pra você escolher as que combinam com o seu perfil.
É uma escada. E escada tem ordem:
Fé → Virtude → Conhecimento → Domínio próprio → Perseverança → Devoção a Deus → Afeto pelo irmão → Amor.
Olha ela de trás pra frente, que é onde fica óbvio:
Pra chegar no amor, antes preciso ter afeto pelo irmão. Pra ter afeto pelo irmão, antes preciso de devoção a Deus. Pra ter devoção, antes preciso de perseverança, pra continuar mesmo nos dias difíceis. Pra perseverar, antes preciso de domínio próprio, porque ninguém aguenta firme sem ter controle de si. Pra ter domínio próprio, antes preciso de conhecimento, porque ninguém controla o que não entende. Pra ter conhecimento, antes preciso de virtude. E antes de tudo isso, no primeiro degrau, preciso de fé.
Esse post é sobre o primeiro degrau. Os outros sete vêm nos próximos.
Uma coisa antes de subir
Se você olhou pra essa escada e pensou “isso é humanamente impossível”, você entendeu o tamanho da coisa.
E é por isso que Pedro não começa mandando você subir. Ele começa dizendo que você não vai subir sozinho nem com força própria:
“Como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude.”
Tudo. Verbo no passado. Já entregue, já depositado.
Repara na ordem do texto: primeiro, nos versículos 3 e 4, Deus entrega o poder e as promessas. Só depois, no versículo 5, vem a cobrança: “ponde nisto mesmo toda a diligência, e acrescentai à vossa fé a virtude” (2 Pedro 1:5).
Primeiro o dono deposita. Depois ele cobra o rendimento. Nunca o contrário.
O que falta não é depósito. É gestão.
Degrau 1: o que é fé de verdade
Fé é crer mesmo quando você ainda não consegue enxergar como tudo vai se encaixar.
Não é falar que acredita em Deus. Fé é você viver crendo num Criador que você não vê.
E tem um ponto que muda tudo: você não consegue ver, mas Ele te escuta. Você não vê, mas Ele está o tempo todo te guiando. Você não pode ver, mas você pode escutar.
“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem.”
Por isso a fé é a base de todas as outras qualidades. Sem ela, o resto da escada não se segura.
Como é que você constrói a escada de uma casa sem a base?
Como está a sua vida hoje?
Você crê naquele que você não vê? Ou você vive como alguém que fala “eu acredito em Deus” e tem atitudes totalmente ao contrário? Porque eu já fui assim.
E aqui vai a pergunta que mais incomoda: quando você ora pedindo uma resposta de Deus, você tem paciência pra escutar a resposta no tempo dele? Ou você não tem fé pra isso e prefere seguir o que você acha?
“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.”
Não se estribar no próprio entendimento é exatamente o que a gente não faz. A gente ora, não escuta nada em três dias, conclui que Deus está ocupado, e resolve sozinho.
Quem é o real dono do seu negócio, você ou Deus?
Pensa na última decisão grande que você tomou. Trocar de sócio, pegar empréstimo, contratar, mudar de ramo, recusar um contrato.
Agora responde: em que momento dessa história você levou a decisão pra Deus?
Foi antes de decidir, pra pedir direção? Ou foi depois, quando já estava tudo resolvido, e você só orou pra dar certo?
Porque essa é a diferença exata entre dono e administrador. O dono decide e depois avisa. O administrador pergunta antes.
Se as suas orações sobre o negócio são quase sempre no segundo tempo, pedindo bênção pra uma coisa que você já escolheu sozinho, o degrau 1 ainda não está firme.
Deixa eu te contar o meu testemunho
Enquanto eu escrevia esse conselho pra vocês, eu me vi na situação.
Eu achava que tinha fé. Eu achava que quem era o dono do meu negócio era Deus. E escrevendo isso aqui me caiu a ficha: Deus não está sendo o dono do meu negócio. Deus não está me guiando. Deus não está respondendo meus pedidos.
Sabe por quê?
Porque tudo o que eu fiz na minha vida até hoje, eu nunca perguntei antes. Sempre depois.
Quando surgia uma proposta de trabalho, uma sociedade, uma mudança de cidade, um relacionamento, qualquer momento em que eu precisava de direção de Deus, eu tomava a decisão primeiro e orava depois.
E nos raros momentos em que eu orava antes, pedindo direção pra uma decisão importante, eu nunca tinha paciência pra esperar a resposta. Tinha que ser no meu tempo, senão eu perdia o negócio. Tinha que ser pra ontem, senão não dava tempo.
É aí que a gente se engana. Achando que é no nosso tempo e não no tempo de Deus. Tomando decisão sem pedir direção antes, querendo que Ele abençoe, e depois, quando dá errado, culpando Ele.
Imagina que alguém venha te pedir um conselho depois de já ter tomado a atitude. Você não responde nada, porque a decisão já foi tomada. Aí dá errado e a pessoa vem te culpar.
É exatamente isso que a gente faz com Deus.
Então a partir de hoje eu me demiti do cargo de CEO dos meus negócios e da minha vida, e entreguei a cadeira pra Deus.
Não importa quanto tempo demore a resposta dele. Não importa se for algo de última hora, eu orar, não escutar resposta nenhuma e perder o negócio. Porque o silêncio de Deus também é resposta. Às vezes é “não”, às vezes é “ainda não”. Nos dois casos, seguir sozinho é desobediência disfarçada de urgência.
“Eu, o Senhor, ao seu tempo o farei prontamente.”
Então a partir de hoje analisa se você realmente tem fé, ou se você está iludido achando que tem, mas na verdade continua sendo o CEO em vez de ser o administrador.
Uma coisa que precisa ficar clara
Esperar em Deus não é cruzar os braços.
Fé não é ausência de planilha. É fazer a planilha sem desespero. Fé não é deixar de negociar prazo com fornecedor porque “Deus vai prover”. É negociar sabendo que o resultado final não depende só de você.
“Confia ao Senhor as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos.”
Repara: as tuas obras. Você faz plano, trabalha e calcula. E entrega tudo pro dono.
Como fazer isso na prática na sua empresa
Leve a próxima decisão grande antes de decidir. Não depois. Antes de assinar, antes de contratar, antes de recusar. O hábito de perguntar primeiro é o que muda a cadeira de lugar. E depois de perguntar, tenha paciência pra esperar a resposta.
Não decida no mesmo dia. Combine com você mesmo um prazo mínimo antes de responder qualquer coisa grande. Três dias de oração já mudam muita decisão. E se a proposta só se sustenta enquanto você é obrigado a responder agora, presta atenção: quem está decidindo ali não é você, é a pressa.
Se demita do cargo de CEO hoje, por escrito. Pega um papel, coloca a data e escreve que a partir de hoje quem senta na cadeira de dono do seu negócio e da sua vida é Deus, e que você assume o cargo de administrador. Parece simbólico, mas não é. Decisão sem data não é decisão, é intenção. E quando bater a próxima proposta urgente, você vai precisar lembrar que já entregou essa cadeira.
Peça direção antes de pedir resultado. A maioria das orações de empresário é sobre resultado. Inverte a ordem, porque resultado na direção errada é só um problema chegando mais rápido.
A base está posta. Agora dá pra subir.
No próximo post: degrau 2, virtude. E não é o que você está pensando, porque virtude não é deixar de fazer o errado. É ter coragem de fazer o certo quando isso custa dinheiro.
Versículos-chave
“Como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude.”
“E vós também, ponde nisto mesmo toda a diligência, e acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade.”